segunda-feira, março 13, 2006

Confidências

Como prometi antes cá vou expor os detalhes da minha provável desgraça académica. Preparem-se porque esta vai ser a versão longa, o épico do qual vão fazer um filme de 3 horas... (lol) – quem tiver paciência curta é favor não ler o que se segue:

Isto às vezes a vida tem ironias um pouco amargas... acho que todos temos a experiência de quando era-mos pequenos e os nossos pais nos diziam o que devia-mos ou não devia-mos fazer. O ponto chave na minha casa sempre foi o livre pensamento, pensa por ti, explora todas as possibilidades e tira as tuas próprias conclusões, não deixes que alguém tome decisões por ti, compromete-te apenas com o que e com quem quiseres (isto é o que dá quando um esquerdista anti-sistema inveterado casa com uma conservadora semi-cristã, como muito raramente conseguem pôr-se de acordo dão-nos espaço para escolher-mos nós lol). E por isso cresci a ter uma saudável dose de desconfiança pela autoridade combinada com um pessimismo quanto a projectos utópicos.

Na minha juventude fui um aluno não extraordinário (essencialmente porque me estava a marimbar para os estudos que se achei enfadonhos ao máximo, especialmente as ciências exactas como matemáticas, física, química...) que chegou ao 9º ano sem ter a mínima ideia do que fazer ou que área escolher. No fim acabei por seguir ciências porque andava deslumbrado pela programação informática (typical I know...but I was young and foolish...). Foi paixão que durou pouco, quando aprendi a programar percebi que era uma seca descomunal (mas ainda hoje sei programar em duas ou três linguagens... que bom...) mas entretanto estava no inicio do meu 12º e o preço para mudar de área era astronómico, apenas tinha que voltar ao 10º e perder três anos, depois de algumas semanas a partir o coco para arranjar alguma solução tive uma ideia. Ideia essa que me levou ao dilema onde estou agora.

Lembrei-me das ciências económicas, para entrar para economia ou gestão na maior parte dos casos só se precisa de matemática como especifica e isso já eu tinha que fazer de qualquer maneira. E pronto lá fui mais ou menos feliz para gestão. E aqui é que as coisas começam a ficar complicadas. Por esta altura já estava mais crescidinho e já sabia perfeitamente qual era a área de que gostava: as ciências sociais, sobretudo a história que é o meu fascínio desde há bastante tempo (sou um apaixonado d a história cultural e do pensamento), mas como o curso ia andando tentei não pensar muito nisso, continuei na minha rotina. Sendo o ambicioso que sou (admito que às vezes dá-me para aí) apontei alto e meti-me num projecto de curso no estrangeiro e depois de bastante luta para entrar num programa disputado lá consegui o que pensava que queria.

E assim chegamos ao presente, cá estou eu em Madrid a fazer uma coisa que me está a irritar profundamente e a não ver muitas saídas. É que enquanto estava na terrinha (Lisboa) as coisas iam caminhando mais ou menos porque também o esforço despendido não era muito mas cá as coisas não funcionam assim, o programa é exigente e está a matar-me com detalhes que não me interessam e a entrar em profundidade em áreas que eu jamais quis tocar (especialmente em finanças). Já pensei seriamente em fazer o que me vai no coração há vários anos mas e depois de ter 4 anos de satisfação a tirar o curso que amo o que é que é suposto fazer com ele? Não existe qualquer procura por pessoas dessa área e isso é o meu problema, um problema do tamanho de um elefante obeso.

Os pais voltam a entrar em cena ao insistir para fazer o que detesto mas dá $$ e assim ignorar todos os conselhos que me deram durante anos sobre valores ético e ideias, parece que essas coisas agora são muito bonitas mas agora não interessam nada... será que me andaram a aldrabar durante estes anos todos?

E daqui deduz-se a situação total em que me encontro neste momento, entre a espada (o curso que faço, que detesto mas tem saídas de emprego) e a parede (o curso que quero mas que não me serve para muito). Entre a extrema exigência do programa, a pressão familiar e a falta de interesse as perspectivas para as próximas notas não são nada famosas... nada mesmo.

Soube bem desabafar com vocês :), agora vou tomar um banho de imersão para relaxar e meditar nisto tudo.

7 Comments:

Blogger Draco said...

Parece que tu é que andas a brincar com a tua vida e a fazer coisas que não gostas e a gastar o $$$ dos teus pais em coisas que afinal não queres.
Cheira a filho mimado...

Desculpa a franqueza!...

11:22 da tarde

 
Blogger Pod said...

A franqueza está desculpada.
Fui andando pelos melhores caminhos que me apareceram, as escolhas não dependem só de nós ou dos nossos desejos, dependem do que é possível, se a vida fosse simples este problema de que falo não se punha.

Com toda a fraqueza a simplicidade é para os que não conseguem ler a complexidade das situações ou o prever o impacto das escolhas que fazem e eu consigo fazer ambas.

11:34 da tarde

 
Blogger dcg said...

Sinceramente acho sempre muito difícil emitir uma opinião nestes assuntos.
No meu caso nunca tive grande vocação para nenhuma área profissional. Estive indeciso acerca do curso a seguir até ao 12º ano. Aí, decidi-me pelo curso que a maioria dos meus colegas escolheu. Até hoje não me arrependi, apesar de sentir que nao tenho espírito nato para a profissão que tenho. Quero com isto dizer-te que nunca achei um bicho de sete cabeças não gostarmos assim imensamente daquilo em que trabalhamos. Basta sentirmo-nos bem. No teu caso, sugiro que acabes o que estás a fazer. Depois, se sentires mesmo o que temes, ou seja, infeliz profissionalmente, continua a trabalhar e estuda aquilo que mais gostas. É sempre bom ter alguma segurança.

2:42 da tarde

 
Blogger Pod said...

Different_common_guy, já tinha pensado nisso e a questão está em saber se consigo chegar ao fim disto, a ver vamos.

3:22 da tarde

 
Blogger Bruno said...

Bem falando por experiência própria História não é de todo uma formação com futuro profissional... pelo menos não de forma contínua! Depois da licenciatura andei algum tempo pelas áreas da investigação e sinceramente as coisas não são exactamente como se imagina. Após algum desencanto rumei para novas áreas com mais futuro e saídas profissionais! Gosto muito daquilo que faço! Quanto à História foi uma parte da minha vida que está arrumada lá atrás e por onde ando de vez em quando! Concordo com o Differente e com o Draco... Pensa bem na tua vida, mas também em alguma segurança!

12:34 da manhã

 
Blogger Pod said...

Obrigado pelas tuas palavas de experiência Bruno.

10:55 da manhã

 
Blogger Bruno said...

De nada pod. Afinal de que serve a nossa experiência se não for para nos ajudar (e aos outros) a não cometar o mesmo erro duas vezes! Sempre às ordens! :-)

2:39 da manhã

 

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